Resenha: "Ninguém escreve ao Coronel" de Gabriel Garcia Marquez
Páginas: 94
Nota: 10/10
Tempo de leitura: 1 dia
Ninguém escreve ao Coronel é um dos meus livros favoritos do realismo fantástico. Já o li umas 5 vezes, e em todas elas eu me emociono. É um livro pequeno (94 páginas), mas com uma história densa e realista.
Neste livro, Gabriel consegue passar todas as emoções e sofrimentos de um Coronel e sua esposa. A história não é nenhum pouco arrastada, pelo contrário, tudo acontece muito rápido. Por alguns momentos, você pode se perder nessa narrativa intensa e triste.
Ninguém escreve ao Coronel se passa entre outubro e dezembro de 1956 e conta a história de um casal de idosos (75 anos) que tentam sobreviver em uma pequena cidade. Por muitas vezes passam fome e eles mal tem dinheiro para comer, mas vivem à espera de uma carta. Essa carta deveria trazer a notícia de que o pagamento da aposentadoria do Coronel havia saído. Eles esperam por ela há 15 anos, mas a carta não chega. Enquanto isso, sobrevivem de migalhas e vendem tudo o que sobrou da sua humilde casa, para comerem e dividirem entre os dois e o galo, que era de seu filho Augustín.
Augustín, o filho deles, morreu no dia 3 de janeiro de 1956, em um rinha de galos. Ele fora baleado por um policial por fazer propaganda antigovernamental. E deixou de herança para os pais uma máquina de costura e o seu galo. A máquina, havia sido vendida para que pudessem comer, já o galo, era a esperança mais próxima do Coronel de conseguir dinheiro. O casal cria o galo na expectativa de engordá-lo e vendê-lo a um preço de 900 pesos (que os ajudariam por 3 anos) ou ganhar 20% das apostas, caso o galo venha a vencer a rinha, que só aconteceria em janeiro do ano seguinte. Até lá, o coronel e sua esposa asmática passam o livro pensando no que fazer para conseguir dinheiro para comer e alimentar o galo, e a esperança de mudarem de vida.
A carta, que o Coronel espera ansiosamente, deveria chegar no correio que chega todas as sextas-feiras de barco. Mas sempre ouve a mesma frase do carteiro "E ao coronel nada... Ninguém escreve ao coronel".
Depois de muita insistência de sua esposa, que não aguentava mais passar fome e viver na miséria, o Coronel decide então, vender o galo. D. Sabas, seu compadre e padrinho de Augustín, decide comprá-lo por 400 pesos, menos da metade que o Coronel pensava que o galo valia. Mas pela necessidade e insistência de sua esposa, acaba aceitando a proposta e recebe 70 pesos de adiantamento. Ele só daria o galo e receberia os 330 pesos que faltava quando D. Sabas retornasse de viagem.
No dia em que começam os treinos de luta de galos, o seu galo tem uma
vitória espetacular, e o Coronel acaba se convencendo de que poderá ganhar mais
dinheiro mantendo o galo, do que o preço oferecido por D. Sabas. Mas
ainda faltam 45 dias para o início das lutas de galos.
Passagens/Frases marcantes do livro
Existem algumas passagens do livro que me deixou muito pensativa e bastante chorosa. Irei listá-las aqui:
1) "- Nada para o Coronel - falou. Este não sentiu-se envergonhado.
- Também não esperava nada - mentiu. Botou no médico um olhar infantil. - Eu não tenho quem me escreva."
Neste trecho, o Coronel demonstra uma imensa solidão ao dizer que não
esperava nada, pois não tinha ninguém que lhe escrevesse. Mas no fundo,
sempre esperava por uma carta, que poderia mudar o rumo de sua vida.
2) "O advogado abriu os braços. - É isso mesmo Coronel. A ingratidão humana não tem limites"
3) "- Nunca é tarde para nada. - filosofou o Coronel"
4) “O Coronel comprovou que quarenta anos de vida em comum, de fome em
comum, de sofrimentos comuns, não lhe bastaram para conhecer sua mulher.
Sentiu que também no amor alguma coisa tinha envelhecido.”
5) Em uma conversa com a sua esposa a respeito de D. Sabas (o homem rico da cidade):
"Aí está nosso compadre Sabas, com sua casa de dois andares e que não dá para guardar tanto dinheiro...
- Mas está morrendo de diabete - reagiu o Coronel.
- E você de fome - gritou. - Para que se convença de que a dignidade não se come"
6) "- A gente se sente como se fosse de vidro"
Depois de tudo, só tenho uma coisa a dizer: Gabo era realmente incrível!

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